24 de outubro de 2010

Decifra-me, ainda assim, devoro-te.

Porque em alguns tempos se faz necessário revisitar nossos próprios infernos...
A proposta da esfinge: decifra-me ou devoro-te, talvez tenha precisado passar por uma breve atualização de software para adequar-se a minha vida.
E, se por tanto tempo, me escondi e desejei que ninguém chegasse a perceber-me, hoje cá estou eu, abrindo as portas para o mundo, embora não creia que possa acontecer, guardo a esperança das possibilidades do que julgo impossível.
Minha fome da vida, de devorar os fatos, os acontecimentos e porque não dizer, algumas pessoas, me impede hoje de agir de forma contrária. Insano? Talvez. Cruel? Nunca. Sábio? Nem um pouco...
Porque tudo o que passa por nós, por menor que seja, ainda que involuntariamente, deixa-nos um pouco de si, não necessariamente um pouco do bom de si, mas até na crueldade há de se encontrar algo positivo, algo cuja expansão seja possível.
Diferentemente da esfinge, desejo ver o enigma decifrado e acredito que o próprio Édipo não o decifrou por medo, mas pelo desafio. É só o que espero, que um dia possa encontrar a bravura que enfrentará o desafio e que esta por ao menos algum tempo seja maior que o desejo de ser devorado. A este bravo combatente das causas preteridas, guardo o melhor de mim.
Ainda é meu sentimento, infinitamente maior que o meu desejo e o meu apreço por quem não o consegue entender, inversamente proporcional aos dois primeiros.

Piafizinha, com a mesa posta.

21 de outubro de 2010

Simplesmente amor.

Minha amiga me perguntou: Você realmente já teve o mundo a seus pés?
Mais uma vez, a resposta vale um post.
Não sem antes lembrar do Beto me perguntando: Você alguma vez na vida já foi tão amada assim? Se eu disser que não é mentira, mas não com tanta pureza, não sem nenhum interesse.
Voilà...
Sempre ouvi dizer que as pessoas fazem as coisas com interesse em receber algo em troca, invariavelmente, sempre discordei, sempre defendi meu ponto de vista dizendo que é de mim, preciso dar de mim às pessoas, é quase uma necessidade deixar algo de mim por onde passo, penso que é isto que faz a vida valer a pena, menos o que eu trago e mais o que eu deixo. Olho ao redor e vejo que as pessoas têm razão por tanta descrença, na maior parte das vezes, porque não dizer em quase todas as vezes, quando vejo alguém fazendo qualquer coisa por outra pessoa, a mensagem do fazendo isto ganho aquilo está implícita, quando não, a pessoa não se contenta em ajudar outra e ficar calada, precisa fazer uma baita propaganda, então me questiono, lá no fundo, bem lá no fundo, sou igual à todas as pessoas, tenho meu lado egoísta esperando para ser satisfeito, ainda que a satisfação seja pra mim, um sorriso, um olhar de felicidade ou um abraço...
O fato, é que vivo pelos outros, vivo para os outros, minha felicidade é a felicidades dos meus, não consigo ser feliz em lugares infelizes, muito menos com pessoas infelizes por perto, então neste caso existem duas opções, ou me afasto ou faço estas pessoas e estes lugares diferentes do que eram antes, geralmente opto pela segunda alternativa, mas nem sempre dá certo, existem pessoas tão mesquinhas, tão miseráveis que sequer se contagiam com a felicidade alheia, então é hora de se afastar...
Me casei bastante cedo, minhas atitudes sempre foram precoces, a vida me chamou ao amadurecimento muito cedo e só posso agradecer por isso, me sinto muito mais light, mais moleca hoje do que aos vinte, hoje me dou o direito de errar, de quebrar a cara, de cair porque sei o quanto posso levantar, corrigir, me reconstruir de novo, de novo e de novo. Meu lema era: eu cuido de vc, vc cuida de mim e ta tudo bem cuidado, infelizmente durante muito tempo a verdade foi: eu cuido de vc, vc cuida de vc e eu que me foda. Mesmo com muita dor, houve muito amor e houve uma época em que eu podia acreditar que o meu “felizes para sempre” havia chegado, houve a época da bonança e a época das vacas etíopes e em nenhuma delas faltou amor, um amor que foi construído tijolinho por tijolinho com a argamassa amarga do sofrimento, das diferenças e não poucas vezes da indiferença, meu maior sonho foi realizado, o sonho da maternidade, nunca desejei nada neste mundo quanto desejei meus filhos, na época, não podia imaginar nada além de um lindo bebê sorridente nos meus braços, quando se sonha em ser mãe, não se sonha com as dores das contrações, nem com o quanto seu corpo vai ficar horrível, nem em quanto dói começar a amamentar e sinceramente, na época, nada disso fez diferença alguma, porque aquele primeiro chorinho teve o poder de curar todas as dores, aquele primeiro sorriso, apagou qualquer lembrança ruim que poderia existir. Um dia, ajoelhada num lugar sagrado, com a minha família sagrada, acreditando que o mundo era perfeito em detrimento de toda imperfeição que pudesse existir, naquele momento, eu tive o mundo a meus pés, tudo o que eu tinha me bastava e tudo o que eu não tinha, poderia ser conquistado porque eu estava pronta pra qualquer coisa e nada nem ninguém conseguiriam me convencer do contrário, durante muitos anos eu tirei forças do que de mais profundo havia em mim para superar dificuldades e barreiras que hoje certamente me engoliriam, e tudo isso sorrindo e com todo o amor que havia em meu ser...

... bem como sempre falo, eu sou leonina, e não perdôo fácil, as vezes não perdôo e a mim então é quase impossível.
Um dia a realidade bateu à minha porta e me destruiu em um milhão de cacos e desde então existe um ser que as vezes até desconheço, perdido bem no meio do caminho, sem saber direito a qual mundo pertence de verdade, mas com uma única certeza, esteja onde estiver, estará cercado de luz e amor, porque em tempo algum poderá ser diferente.

Piafizinha, amando o mundo, o seu mundo.

19 de outubro de 2010

Exigente sim horas...

O sol ilumina mas não queima, traz nuances do arco-íris, e permeia meus instantâneos, mais permanentes (agora) do que nunca (...porque o agora é somente o que existe pra mim? Porque o ontem insiste em existir e ainda assim já é inalcançável? Porque o amanhã que por certo há de chegar parece estar a mil léguas de distância?)
Que há neste sol que brilha tanto e parece irradiar partículas de felicidade, que ao mesmo tempo banham meu corpo e me escapam pelas mãos? Que é este calor que sinto pelo que não vivi? Que é este sentimento que nunca virará ação pelo simples fato de que a ansiedade que sinto é imensa e imersa em expectativas a tal ponto de torná-lo impossível?
Por frações de segundos tento entender por que, tento mudar as coisas, mas quando dou por mim meu sonho já me consumiu, acordo e volto a dormir, na vã esperança de que o sonho continue, pois a realidade é sempre finda e finita, mas o sonho não, o que há dentro de mim não.
Um misto de prazer, dor, angústia, desespero, gozo e tormento me entorpecem e a realidade já não sei se está em mim ou nos outros, já confundo meus eus imaginários com o meu eu real e nem sei se o real existe ou me é factível. Pergunto-me se em algum momento haverá neste mundo alguém a quem queira entregar meus delírios mais insanos, alguém que não se importe em ser de verdade amado, adorado, desejado à exaustão, como creio que não, nem inicio a busca, mais uma vez implodo-me num soluço silencioso.
Que há em mim que atrai e repele em fração de segundos a idéia do nós? Que é este fascínio que sinto pelo outro e que se extirpe tão logo o toque? Que é esse fogo que só arde em mim, uma brasa que não diminui, mas que também não consegue aquecer? Que é toda essa energia desperdiçada, fazendo meu sangue borbulhar em minhas veias enquanto minha boca se cala, meus olhos se fecham e meu coração insiste em congelar o tempo, o espaço. Que são estas pernas correndo involuntariamente de tudo o que possa me aparecer?
Se exijo o muito é porque estou disposta a oferecer muito, em tempo algum me contentei com menos do que o tudo.

Piafizinha, não cabendo mais no mundo por já ter tido o mundo a seus pés.

14 de outubro de 2010

Namorando ou não namorando.

(queridos amigos pudicos, não leiam este texto por favor)

Minha mãe me perguntou: e o namorado? Num misto de fúria e embaraço (odeio qdo ela faz isso) respondi: que namorado?

Não pude deixar de pensar, de onde ela tirou isso? Vasculhei minha memória recente atrás de indícios, ah, sim lembrei, ela presenciou algumas conversas ao celular com um amigo e foi logo tirando suas precipitadas conclusões, então pensei, o que faz do cara um namorado?

Transa. Logo descartei, mesmo pq já tive namorado com quem não transava e já tive transa com quem (graças a todos os poderes do Universo) não namorei.
Afeto. Não, definitivamente não. Sou absurdamente afetuosa com meus amigos (mesmo qdo me refiro a eles carinhosamente como babaca FDP).
Comprometimento. Ah sim claro, se vc está comprometido com uma pessoa, com certeza vcs NÃO estão namorando.
Coração saltitante. Sabe aquela coisa (coisa = sensação) do coração sair pela boca? Então isso tb não é, mesmo pq meu coração quase saiu pela boca quando eu vi o Luis fernando Veríssimo de pertinho e eu tenho certeza de que ele não é meu namorado.
Brilho no olhar. Chegamos ao ponto. O brilho no olhar é tuuuudo na vida de uma pessoa romantica e apaixonada (falarei sobre o romantica e apaixonada mais a frente). Recentemente encontrei o tal brilho no olhar, cheguei em Jandira interior de SP, pra um bate e volta rapidinho, à trabalho, no meio do caminho, na Castelo Branco, começaram a “brotar” nuvens negras no céu, menos de 3 minutos e alguns quilometros depois desabava a maior chuva, mandei bala pra dentro da minha capa de chuva 30x maior do que eu e fiquei com cara de “Ué!” olhando meu lindo sapato social ficar encharcado (ainda bem que era de verniz), enfim cheguei, um belo condominio empresarial, após minha árvore genealógica, declaração de imposto de renda e juras de que eu não era terrorista e nem outros “istas” consegui entrar e estacionar, pingando como se estivesse saindo do chuveiro, me livrei de todo o aparato “ não se molhe” que na verdade não adiantou tanto quanto eu esperava e fui ao encontro do (até então eu não tinha idéia) brilho no olhar. Fui atendida prontamente e confesso me senti muito bem com tanta solicitude, após alguns minutos de espera pela diretora, uma inglesa bonita, loura e magra (odeio gente magra, se eu não posso emagrecer então quero mais é que todo mundo engorde, prontofalei) residente na África do Sul, e passando uns tempos em Sampa (creio que com o único intuíto de me constranger), nosso intérprete amenizando (ou tentando) as investidas furiosas contra os prazos não cumpridos que havíamos dado, incrivelmente, na contramão da história, este era meu momento de tranquilidade e lucidez e consegui reverter o jogo a nosso favor, mesmo com todos os elementos contra, consegui a confiança da diretora e posteriormente fechamos outros negócios, mas o que realmente importa neste caso, o brilho no olhar já estava lá, ainda tivemos uma pausa para o happy birthday de uma funcionária bastante maluca, que fez um discurso (quase) emocionado e bastante puxa saco e fui me retirando, vamos a cena do crime...
Final de tarde, os últimos raios de sol estão deixando o céu (com a tranqüilidade de um adolescente), visto minha roupa de astronauta (nada sexy) e ele, com brilho no olhar segura minha bolsa social gigantesca (pra caber tudo, sem sacanagem), poucos dias depois estamos assistindo Bastardos Inglórios, no HSBC Belas Artes, tomamos Norteña no Eugenio, nos beijamos num chafariz, saímos pra beber com meus amigos na Avenida Nova, passeios proveitosos e divertidos e o brilho no olhar ganha legenda com a frase: eu acho que vc deveria terminar agora seu drink e deveríamos ir a um lugar onde pudéssemos ficar mais a vontade. Um dos meus inimigos imaginários neste momento rola no chão de tanto rir dizendo-me: brilho no olhar heim gatinha, acho que não!
Pausa pra me recuperar de um instante de depressão...
Acho que não sei o que é um namorado, já aconteceu mas faz muito tempo... Meus amigos já não me perguntam mais se estou namorando faz tempo, já se acostumaram a perguntar: tá pegando quem?
Mas , sou de verdade uma pessoa romântica e apaixonada. Gosto que as pessoas que amo (eu amo muito as pessoas, sem sacanagem 2) sintam-se realmente... amadas, cuidadas por mim, gosto de promover passeios e encontros salutares, gosto de cozinhar e proporcionar um ambiente agradável, mimo, dou presente, ligo milhares de vezes, escrevo pra elas, penso que se alguém faz parte da minha vida que ao menos o faça direito. E apaixonada no sentido de enxergar a vida e as pessoas com brilho no olhar, me interessam as dores e as conquistas das pessoas que me cercam. As cenas do meu dia-a-dia são pintadas em tons pastéis, mas há que se ter fome de vida em alguns momentos, há que se usar cores vibrantes em muitos momentos. Isso não faz de mim a Sra. Recato, tb tenho fome no olhar, também sinto desejo e não deixo pra depois, mas nunca, em hipótese alguma, permito que este desejo se vista com pele de cordeiro, as coisas são o que são, nem mais nem menos importantes, apenas o que são.
Como diria uma amiga: baixe seus padrões ao nível terrestre e vc vai encontrar alguém interessante. Será? Será que alguém interessante me basta? E se bastar, bastará por quanto tempo? Quantas paginas serão necessárias para uma pessoa interessante se tornar desinteressante, depois maçante e logo insuportável?
Ainda quero o impossível de se encontrar, ainda gosto do gosto estranho que é gostar do que ninguém mais gosta e ficar sem opção. Ainda me apaixono pelo impossível porque se fosse possível me repeliria. Ainda fujo do real. Mas principalmente, acredito com todas as forças de todas as fibras do meu ser, que é possível.

Piafizinha, não namorando e feliz.

Fazendo as malas.

Conversando com um amigo sobre uma eminente viagem à Curitiba, ele me disse: Segura a onda, guarda dinheiro. Respondi que não iria gastar muito e ainda que preferiria viajar e ficar dura a ficar em casa deprimida.
Pensar nisto rendeu um post.
Todas as oportunidades devem ser aproveitadas, pretendo ir para ver o mercado e também para me distrair, passear aproveitar. Penso que por último, se nada der certo, valeu o passeio, Curitiba é uma cidade linda e preciso me distrair, pois estou realmente entediada
O que é mais importante? Ficar em casa sentado em cima do cofrinho e garantir a tediosa sobrevivência até o final do mês, todos os meses? Toda uma vida? Ou aproveitar cada oportunidade que se apresente? Creio que o ideal é o equilíbrio e pra mim (desequilibrada por natureza) o equilíbrio está em aproveitar todas as oportunidades que eu puder alcançar, olho para trás e me arrependo de muitas coisas que não fiz, coisas que poderia ter feito e não fiz, lugares que não fui, pessoas que não beijei ou disse o quanto amava.
Cada vez mais busco não deixar para trás oportunidades salutares, embora ame as mudanças, sempre resisto muito ao novo, sempre esbarro nos “e se...” e como diz um amigo, ‘e se...’ é conjunção atrapalhativa. É lógico que é válido pensar antes de agir, ponderar antes de decidir, mas não dá pra pensar a vida inteira, não dá para viver e deixar rolar esperando o resultado.
Há alguns anos enfrentei um doloroso processo de divórcio e uma das coisas que repeti incessantemente foi: quando a gente não decide o que quer da vida a vida decide pela gente, aí não adianta reclamar do resultado. É isso, simplesmente adoro ser responsável pelas minhas decisões, responder por meus erros e receber os louros por meus acertos.
Só quero viver, em alguns momentos, viver intensamente, em outros viver em paz sem grandes turbulências, mas, na maioria das vezes, não, o tempo todo, preciso estar envolvida em um projeto, algo que me faça pular da cama as seis da manhã após ter ido dormir de madrugada, é isso o que mantém meu sangue circulando por minhas veias e sim, ajo como se estivesse descobrindo a cura do câncer, dou demasiada importância a tudo o que faço, e faço com amor, como se fosse a coisa mais importante do mundo, como se mais ninguém no mundo pudesse executar tal tarefa.
Voilà! Façamos as malas pra vida.

Piafizinha, de malas prontas.

Comer, Amar, Rezar.

Alguém me disse: precisamos ir pra balada! Suspenso no ar ficou o não dito: caçar.
Não funciona assim! Vou lhes contar como funciona: um conhecido em comum lhes apresenta (geralmente numa festa), vocês trocam informações, se percebem talvez troquem telefones, alguns dias depois, dependendo da sensibilidade do conhecido em comum ao “passar a ficha completa”, pode rolar um programinha, depois disso quem sabe, haverá alguém com bastante potencial para merecer uma exploração de terreno.
É assim desde que o mundo é mundo.
Aí vc vem me falar sobre a sua amiga que conheceu um cara na balada, casou, teve meia dúzia de filhos e viveu feliz para sempre. Vai por mim, se é que ela realmente viveu feliz para sempre, ela é a exceção, não a regra.
Até Liz Gilbert comprova minha teoria, em Comer, rezar, amar ela é apresentada a Felipe por uma conhecida em comum que “dá a ficha completa” da pior forma possível, mas cumpre seu papel.
Aliás o filme é ótimo, embora prefira sempre os livros, este me surpreendeu, existem poucas mudanças e não alteram o enredo. A casa dela na Indonésia é exatamente como imaginei, o mar também. Ketut Lier é apaixonante, como no livro. Me identifiquei com ela em 4/5 da história, só não na última parte, porque ainda não chegou a hora do meu “felizes para sempre” ainda e Tb pq se um homem chorar daquele jeito na minha frente provavelmente eu bata nele e lhe dê algum motivo pra chorar de verdade (mentira), mas o cara é muito chorão mesmo, provavelmente mulheres do mundo inteiro estão vindo ao Brasil a procura daquela espécime rara e sensível, sinto tanto, mas resta o consolo de saber que encontrarão ótimos amantes.
Bom é isso, assistam o filme, leiam o livro pra entender melhor e quando forem à balada, façam-no com o firme propósito de se divertir.

Piafizinha, comendo mais do que rezando ou amando.