3 de novembro de 2010

Decifra-me e ainda assim, devoro-te.

Porque em alguns tempos se faz necessário revisitar nossos próprios infernos...

A proposta da esfinge: decifra-me ou devoro-te, talvez tenha precisado passar por uma breve atualização de software para adequar-se a minha vida.

E, se por tanto tempo, me escondi e desejei que ninguém chegasse a perceber-me, hoje cá estou eu, abrindo as portas para o mundo, embora não creia que possa acontecer, guardo a esperança das possibilidades do que julgo impossível.

Minha fome da vida, de devorar os fatos, os acontecimentos e porque não dizer, algumas pessoas, me impede hoje de agir de forma contrária. Insano? Talvez. Cruel? Nunca. Sábio? Nem um pouco...

Porque tudo o que passa por nós, por menor que seja, ainda que involuntariamente, deixa-nos um pouco de si, não necessariamente um pouco do bom de si, mas até na crueldade há de se encontrar algo positivo, algo cuja expansão seja possível.

Diferentemente da esfinge, desejo ver o enigma decifrado e acredito que o próprio Édipo não o decifrou por medo, mas pelo desafio. É só o que espero, que um dia possa encontrar a bravura que enfrentará o desafio e que esta por ao menos algum tempo seja maior que o desejo de ser devorado. A este bravo combatente das causas preteridas, guardo o melhor de mim.

Ainda é meu sentimento, infinitamente maior que o meu desejo e o meu apreço por quem não o consegue entender, inversamente proporcional aos dois primeiros.


 

Piafizinha, com a mesa posta.


 


 


 

Agulha, linha... login

Nesta época da blogosfera, onde recado virou scrap e o mundo do S2 invadiu as telas...

Ainda gosto do bom e velho lápis e papel, ainda escrevo para as pessoas que amo, e me emociono quando recebo algo parecido, embora seja cada vez mais raro.

Quando vejo a mensagem, solução do problema de conexão bem sucedida, procuro o botão de muito obrigada para clicar, mas só acho o ok... Embora certas vezes eu tenha vontade de beijar pessoalmente o componente eletrônico ou o software que foi capaz de realizar o milagre...

Adorei a onda do e-book, tão prático rápido e à mão... qual não foi minha surpresa ao descobrir que os títulos que procuro quase nunca estão disponíveis para download, apesar disto, encontro ótimos outros... mas ainda assim, gosto do cheirinho do papel, gosto de apreciar a encadernação, o tipo de capa, deslizar os dedos sobre a lombada, do barulho da página virando, da minha memória que lembra de um comentário lá atrás e embora ela nunca funcione existe uma concessão para a localização do parágrafo e altura da história... sem falar que a bateria nunca acaba e posso levá-lo ao banco sem disparar o alarme... posso dormir lendo sem que ele esquente...

Ainda gosto das coisas como eram, porque têm uma história, uma história comigo, me levam de volta para algum lugar, onde as coisas eram mais simples e mais profundas, quando a informação demorava tão mais a chegar mas talvez trouxesse um impacto muito maior, onde tínhamos um número menor de amigos, mas andávamos até a casa deles e os abraçávamos, marcávamos uma festa onde cada um levava alguma coisa e todo mundo tava lá no sábado a noite, simplesmente pq a preguiça não nos levou a fazer as pazes com a consciência após uma desculpa virtual endereçada a todos...

Sinto falta das coisas de verdade, palpáveis, sinto falta dos olhares desviados, corações disparando, gagueira, rubor, da época que passávamos na esquina da casa de um gatinho só pra ele lembrar que existíamos e no sábado ele ligava chamando pro cinema pq também ele já não tinha medo de um não, dos contos que só podíamos ler longe da inspeção de olhares adultos, de jogar ping pong, festa americana, stop, rolar na grama, bolo nega maluca que não podia comer quente sob pena de uma bela dor de barriga, perna de pau, beijo roubado, castelo de areia, daquelas bonequinhas de papel que trocavam as roupinhas, hj tem um milhão delas virtuais, chamam jogos de meninas, ensina as moçoilas a combinar as peças, mas não incentiva a recortar, pintar com bolinhas, encurtar ou decotar, pras mais ousadinhas... meu guarda roupas tem umas peças bem antigas, que passaram por muitas transformações, muitas peças feitas por mim, cada uma delas guarda uma história ou muitas e continuam atuais... e hoje as gurias no geral, não sabem pregar um botão (infelizmente isso não é força de expressão).

Piafizinha, não precisando de 35 redes sociais para se sentir viva...

1 de novembro de 2010

O que é certo?

Esses dias me perguntaram: e o que é certo Elma?

Certo é amar.

Amar a si, antes de amar os outros. Li ontem num "livro de mulherzinha" que devemos substituir o 'amar ao próximo' pelo 'amar a si mesmo para que o próximo possa ficar mais próximo' embora este novo princípio vá contra tudo o que acredito, ele vai direta e rapidamente ao encontro a tudo o que preciso.

Amar a vida, porque o mundo vai ser mais sem graça sem a minha presença (pelo menos o mundo de uma meia dúzia de pessoas, que, incondicionalmente me amam), porque há muitas coisas que dependem de mim ou nunca serão feitas, o jardim de casa, o abraço de mãe no dia da formatura e o exemplo que só eu posso legar as pequenas cópias de mim que eu mesma criei.

Certo é fazer as pazes.

Fazer as pazes comigo, todos os dias pelos pequenos sofrimentos que me imponho desnecessariamente e que aumentam minhas rugas e marcas de expressão (e isso é quase imperdoável).

Fazer as pazes com as pessoas que me amam ou me amaram tanto um dia e por conta deste amor, sentem ciúmes e talvez sem perceber destroem pouco a pouco o amor que um dia lhes tive.

Fazer as pazes com o meu cartão de crédito, que me deu tantas alegrias e mesmo assim foi assassinado...

Fazer as pazes com a balança (to trabalhando nisso e talvez fosse um pouco mais fácil se eu não tivesse consciência da alma tão mais bela que o habita).

Certo é perdoar.

Um dos meus presidentes SUD favoritos escreveu um livro intitulado O milagre do Perdão.

Aprendi tanto perdoando, sabe aquela história de que sempre fica um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas(não sei quem escreveu e não vou pesquisar)? Mas é isso,quando perdoamos aliviamos fardos, de ambos os lados, pra mim existem alguns tipos de perdão:

Perdão de inimigo: perdoamos, mas jamais esquecemos seus nomes, aí vem um cristão (chatão) e diz: então você não perdoou de coração... Perdoei sim ô Chato, só não quero dar novamente a oportunidade de me machucar, mesmo porque essa pessoa nem é tão importante assim na minha vida.

Perdão de amigo: a gente fica dando voltas em volta do próprio rabo, pensa "se ele não falar comigo primeiro, nunca mais falo com ele" e basta que nossos olhos se cruzem para que (somente se formos meninas) irrompamos em lágrimas e abraços, se a menina em questão for minha amiga, trocaremos elogios carinhosos do tipo: vc me faz tanta falta sua vaca maldita!

Perdão de namorado: ah fala sério né? Quem perdoa namorado tem mais é que se foder mesmo, se o cara ta te sacaneando no namoro, imagina depois que casar...

Perdão de mãe: mãe não perdoa, porque se seus filhos te fizeram algo de errado, foi culpa sua então não há o que ser perdoado.

Perdão de pai: aí fudeu, fudeu, fudeu de vez, se você ou seu pai acham que você fez algo que precise de um pedido de perdão, amigo você ta encrencado, depois de tudo o que ele fez por você, te educou, acordou as 4 da manhã durante 50 anos pra te sustentar, te deu um ótimo exemplo e todo o carinho do mundo (talvez ele nem se lembre mais que o nome das chinelas era carinho), te amou incondicionalmente (embora ele nunca tenha dito com essas palavras, pra ele tava muito claro, implícito),como vc foi capaz de fazer isso? (seja lá qual foi a merda que vc fez)... e sabe por que? Porque essa é a forma que eles têm de dizer o quanto nos amam e esperam que sejamos pessoas melhores, esperando ensinar-nos, antes que a vida nos ensine de uma forma mais bruta (como se fosse possível) num momento que eles não estejam mais ali, pra nos proteger.

Blábláblá...

Certo é ser feliz, com tudo que se tem direito e mais um pouco... é se importar menos com o que as pessoas vão dizer e mais com o que você vai sentir, as vezes é preciso esquecer um pouco o passado, não importa o quão idiota você tenha sido, passou e já é inalcançável, e provavelmente já se tenha punido algumas vezes mais do que realmente merecia.

Certo é ter o tamanho, a forma e a cor daquilo que você faz e não do que as pessoas pensam ou esperam.

Certo é tomar banho de chuva, mesmo ficando gripado depois.

Nadar pelado,

Ter vários amores pra vida inteira,

Tomar porre de água de coco,

Ultrapassar alguns limites, se cagar de medo e depois rir sozinho...

É chegar de mansinho antes de ter certeza e não pedir licença depois que tem.

Certo é ter brilho no olhar, desejo de viver e testar cada limite da mente e do corpo, tão limítrofes.

Certo é aprender, descobrir, saber que há tanto lá fora, mas há muito mais aqui dentro...

Queria viver muitas vidas, pra aprender muitas coisas e amar muitas mais pessoas, como não posso, vivo muitas Elmas.

Piafizinha, certinha da Silva de que tudo isso vai mudar um dia.