Tão linda, tão inteligente, tão divertida, tão madura, tão
leve, tão boa companhia... tão sozinha!
Não se sabe ao certo quando se deu a mudança, num dia era uma
linda adolescente magricela cheia de planos e sonhos, o universo era (como
deveria ser) pouco e no outro uma provedora esmagada pela realidade...
Num dia apaixonada por duas expressões novas: Carpe Diem e
Maktub e noutro, frustrada com seus significados...
Os mesmos olhos que brilharam diante da ideia de colher o
dia, vivê-lo, aproveitá-lo, hoje se calam ao perceberem que há mais de efêmero
ao seu redor do que poderia suportar.
O mesmo coração que palpitava diante do estava escrito, hoje
repensa quantas coisas nunca deveriam ter acontecido.
Diante de uma caixa de e-mails com 7007 mensagens não lidas,
espera por uma que nunca chega, como uma carta que Noel não responderá...
Cansada de se perguntar o que há de errado consigo, começa a
crer que o erro consiste na humanidade, no planeta, só pode ter ido parar no
planeta errado, não tem outra explicação...
Onde vivem os altruístas? Onde foram parar as pessoas puras?
Imagino que muitas pessoas que acham que me conhecem se perguntam: Quem ela
pensa que é pra falar em pureza? Pra essas eu digo: Você nunca saberá!
No meio de tanta gente sem graça, sinto uma imensa gratidão
por encontrar cores e aromas diferentes, gente que parece gente mesmo, do tipo
que se importa ao menos um pouco com “outras gentes”, gente que prefere se
machucar a ferir o outro, gente do tipo que não deveria viver nesse planeta...
Desde que Maktub ganhou ares de “conforme-se” e Carpe Diem de
“desespere-se” a vida ficou tão mais sem graça...
Piafizinha,
eternamente (enquanto dure), inconformada.
