19 de março de 2013

Saber ou não saber dar, será mesmo que há aí a questão?

Já dei muito, muito mesmo! Já dei de tudo o que eu tinha pra dar e nem por isso fiquei sem...
Mas penso que quando damos ao outro mais do que ele merece, criamos instantâneamente um monstro...

Estava eu aqui me deliciando com Nando Reis (Pra você guardei o amor) e eis que me pego pensando, amo tanto esta música... acho que o meu lado mulherzinha realmente gostaria de encontrar alguém que pudesse suportar o amor que nunca pude dar...

Reflito mais um pouco e concluo, minha maior falha no amor talvez tenha sido dar muito mais do que realmente mereciam, mas penso que o amor é justamente isto, oferecer o melhor, o tudo e preferêncialmente por inteiro...

Hoje, não me importam teorias sobre comportamento humano, continuo fazendo birra sim, me recuso mudar para adaptar-me ao mercado sentimental.

Nunca senti pelo meio, nunca me dei em parcelas ou com ressalvas, meu erro foi apenas dedicar-me demais à quem talvez (certamente) não estivesse preparado para dar e receber...

Quando damos demais a quem pouco merece não estamos supervalorizando o que recebe, estamos nos depreciando, então, de quem é a culpa? Nossa, claro, só nossa...

Pra quem um dia se achou o último pettit four da minha assadeira e não entendeu que era uma opção minha depositar o mundo a seus pés, fica minha gratidão pois acho que mereço mesmo um pouco mais da vida, das pessoas e principalmente do amor...

Piafizinha, acreditando ainda na incrível arte de amar sem ressalvas e ainda assim ser correspondido.

18 de março de 2013

Pela pamonhalização das famílias!

Assisti um vídeo maravilhoso em sala de aula hoje, tão maravilhoso que me fez correr pra casa e escrever, queria poder exortar, tal qual um pastor religioso daqueles bem fanáticos, a todos os pais mães e filhos: assistam-no e mais do que isto, pratiquem-no!

Sou uma mãe muito feliz, não completamente realizada porque isso encerraria minha carreira como ser humano, mas muito feliz!

É lógico e evidente que, como todo ser humano nascido num regime capitalista, tenho minhas necessidades imediatas, mas não me curvo à elas, não sou uma vítima frustrada do imediatismo.

Fui criada em uma família que se sentava à mesa para todas as refeições, as quais eram preparadas em casa, raramente com semiprontos e mais raramente ainda sem verduras ou uma boa dose de coisas saudáveis, sentávamos e conversávamos, como toda adolescente, era inquieta e achava que sabia mais do que todo mundo, não raramente pensei: lá vem mais blá blá blá ou já ouvi isso um milhão de vezes...

Hoje sou uma jovem senhora feliz, me lembro de cada detalhe dos discursos que ouvia sistemática e impacientemente, tenho milhares de lembranças de todas as coisas que fazíamos juntos, aprendi o valor do trabalho, o valor do sacrifício e o valor da família. Sempre soube que comida não brotava na mesa tanto quanto roupas não brotavam no guarda roupas, embora sempre tenha possuido muito mais roupas do que seria capaz de usar ou muito mais comida do que seria capaz de comer.

Aprendi muito cedo o valor da gratidão, aprendi muito cedo a valorizar, ouvir e aprender com os mais velhos e minha mente é povoada por lembranças, conselhos e pequenas alegrias que só sente quem as viveu.

Hoje sinto-me satisfeita por repetir este modelo de educação, muito embora na época ele não me parecesse o melhor...

Hoje, divido as panelas com meus filhos e muitas outras coisas, é indescrítivel a sensaçãoo que sinto quando meu filho mais velho me supera no preparo  de algum prato ou meu filho mais novo se desmancha saboreando minhas "invencionices" gastronomicas, é maravilhoso quando eles me perguntam como preparar algo ou pra que serve determinado condimento.

Mas nem só de comida viverá o homen (nem a mulher), nos divertimos, aprendemos e evoluimos realizando reparos na nossa casa e até desmontando o morimbundo motor da geladeira e trazendo-o de volta à vida, trocando pisos ou levantando paredes, quando fazemos algo juntos sinto uma indescritível sensação de enobrecimento da alma, sinto que estamos construindo com argamassa da paciência ( muitas vezes da tolerância) e do amor,  algo pra sempre, algo do qual nos lembraremos com um sorriso nos tempos de bonança e com uma lágrima nos tempos de dor...

Sei que muitas pessoas acham tudo isso uma bobagem, não é pra estas pessoas que escrevo, elas não entenderiam...

Não são raras as vezes que preciso lembrar (não sem dor no coração) qual é a nossa realidade e eu realmente não estou disposta a pagar em 5 vezes um tênis novo, não é demérito falar sobre isso e ensinar isto aos meus filhos, mas realmente acredito que as pessoas, todas elas devem aprender a conhecer o valor das coisas antes de conhecer o seu preço.

E antes que me chovam pedras, gosto sim e muito de dinheiro, gosto das coisas  que posso comprar e proporcionar com ele porém só pode ser realmente bom se for proveniente do meu esforço, desde sempre me alegrei com as minhas próprias conquistas e hoje carrego comigo esta característica da adolescência, tenho necessidade de mensurar o valor que as coisas têm para mim e não saberia fazê-lo se elas simplesmente brotassem do nada...

Piafizinha, muito feliz por saber que não é tão estranha quanto se achava.

8 de março de 2013

Contos da Fada Male.




Era uma vez uma fada, a fada da paz, ela não se parecia exatamente com as fadas dos contos, era gordinha, de língua afiada, humor ácido e temperamento difícil (você deve estar estranhando essas características numa fada, mas... esse é um conto real), tão real que ela tinha que trabalhar para se sustentar, era avessa ao capitalismo exacerbado, mas sentia profundo prazer pelas conquistas próprias, ainda que não tivesse conquistado lá grandes somas... antes, valorizava a conquista das pessoas, interessava-lhe cenas corriqueiras do quotidiano e sentia imenso prazer por extrair de cenas de anônimos a (sua) real beleza da vida. Lia desesperadamente para preencher a mente; cada livro uma viagem, um amigo, uma nova antipatia, uma crítica, um conceito e assistia TV para esvaziá-la... adorando desenhos animados... Divertia-se com a falta de compreensão das pessoas e apaixonava-se com a compreensão.
Esta fada, definitivamente não era como as outras, era meio como uma fada de si mesma, todos os dias repetia que sua paz não estava à venda, com este conceito decidia quais batalhas desejava travar...
Durante muitos anos, uma medonha criatura das trevas tentava roubar da pequena fada seu sorriso e nunca conseguira entender sua capacidade de continuar exibindo-o à despeito de todas as maldades sofridas. A medonha criatura das trevas não sabia que a fada chorava e sofria porque nunca a conheceu de verdade, preferiu observá-la à distância e sofria terríveis cólicas renais cada vez que qualquer coisa boa acontecesse à fadinha da paz, estas cólicas estendiam-se aos intestinos quando por ventura ouvia alguém lhe falar bem da fadinha...
Passou-se muito tempo e a fadinha um dia percebeu que não adiantava ignorar a existência da terrível criatura, não importava o quanto não revidasse, sua paz estava sempre ameaçada e talvez por falta de revide, a criatura fora ficando mais ousada  e sentia-se ganhando terreno, avançando e investindo cada vez mais contra a fadinha, nunca se importando com os outros seres da floresta... nesta batalha unilateral, filhotinhos perderam seus  ninhos, amizades foram se perdendo, até a própria família da criatura fora atingida, mas seu ódio cego e obstinado parecia infinito e ilimitado... Por desconhecer a tamanha devastação que causava à fadinha usava de todos os métodos para extinguir seu sorriso e sempre se frustrava, sua repulsa só fazia aumentar.
Um dia, a fadinha já velha e cansada, um pouco doente e muito triste, resolveu olhar seu álbum de fotos... Lembrou-se de que na verdade era uma bruxa e não uma fada avaliou que sua paz já se comprometera por tempo demais, neste momento ela suspendeu sua mão direita estalou os dedos anelar, médio e polegar (ela nunca conseguira estalar os dedos doutra forma) e transformou a criatura em uma carranca de madeira que passou o resto da sua existência de costas para a floresta, de onde não podia ver o semblante da fadinha mas podia ouvir o quanto ela fazia a vida de tantas pessoas feliz, servia também como aparadouro para cocô de pombos.

Piafizinha, pagando uma boiada pra não sair de uma briga.