30 de abril de 2008

Lua

A lua em seu quarto minguante dita a regra...
Mingüou-se meu ânimo.
Meus amores impossíveis?
Já não os quero,
a graça era a impossibilidade
Quando começam a balançar, perdem a razão de ser...
E já não sendo impossíveis,
Já não são meus.
E passam a ser um volume extra
num saco já tão cheio...
Começa toda a chateação novamente.
Reclusão
Insônia
Mau humor
Olá Marte, voltei pra casa...

19 de abril de 2008

Nasceu uma idéia!

Um grito surdo ecoa no infinito...
Pari! Do fundo de minhas entranhas nasce uma idéia.
Um banho quente e surgem no corredor azul
Minhas adoráveis borboletas.
Umas alegres outras nem tanto...
Borboletas bucólicas e até melancólicas,
Sim borboletas, sentem melancolia,
sentem falta do casulo, da proteção...
É sábado à noite...
bons livros e vinhos não tão bons...
todos os telefones desligados...
Nada de e-mails ou mensagens instantâneas...
Apenas os ecos
Os vultos
Os instântaneos
O estar em mim.
Uma trilha sonora que faz sentido para poucos, um volume que não faz sentido.
Pincéis em punho, há muito o que ser feito...
um breve regresso de Marte...

17 de abril de 2008

Law of Life

Pobre Zaratustra, nem notas a sincronia.
Talmente: olho por olho, dente por dente.
Cada fim encerra um começo... ai, que preço!
Ctrl+Alt+Del:
Eis que a Bios carrega uma nova tela...

nota esquecida

confuso...
obtuso...
fui eu ou foi o vento?
estou na pista, saltos altos, vestido preto.
alguém me convida para dançar?

14 de abril de 2008

Vontade de ser eterna

O que sabemos, convivas? Da loucura? Do desejo? Da esperança? Do ódio? Da redenção? Da guerra? Da morte? Da ignorância? Da paz? Da vida?
Calíope, agarra sua pena imaginária, sentada em sua miniatura de cadeira e constata que o melhor é abandonar os arquetétipos e acender um L&M moderno, cancerígeno e escrever parcas linhas esfumaçadas para aqueles nos quais seu amor repousa. Sabe das palavras, dessas sim. E da maneira como elas se agrupam ora num balé sisudo, ora numa polca alegre. Daí o resto é composição. Com seu léxico repleto de metamorfoses, ciclos e toda sorte de representações paradoxais, acolhe em seu peito uma semântica transcedental, dessas que dão sentido às coisas, e pede para permancer no espaço, de cabeça de baixo, no seu pequeno metro quadrado de ternura. Para sempre.
Que se possa ser macaco e pensar, mas que a ordem que a musa escolher para esculpir as palavras seja dela e só dela - e que a poeira espessa que é a vida leve consigo uma canção da bela, como um seu retrato à óleo, mais adentro, até a eternidade. Para sempre Cinderela. Vontade de ser eterna...

10 de abril de 2008

Palavras...

Amo os amores que se acabam, porque me conduzem às palavras e amo as palavras mais do que os amores...

Avante!

Na caminhada desejamos nos encontrar.
Na subida nos encontramos.
Mas foi nos tombos,
nos muitos deles que realmente nos conhecemos.
o caminho é longo e sinuoso
Avante, juntos caminhemos!

9 de abril de 2008

aos convivas

assim caminhamos,
assim nos conhecemos,
assim nos amamos.
foi no tombo ou na subida?
não me lembro.
espero uma contrapartida.

Direto de Marte...

Considerando possibilidades quânticas, posso dizer que fui para Marte e nunca mais voltei por diversas vezes...
Sim, sem dúvida alguma,
Como mãe,
Como artista,
Como filha de um pai ausente e de uma mãe (não sem motivos) alienada,
Como estudante,
E não sem um sofrimento sepulcral, como mulher...
Em breve Marte será habitado por uma espécie única de clones absurdamente distintos.
Ainda considerando possibilidades quânticas... por aqui sobrou uma ínfima centelha, porém com certa intensidade, olhos perdidos em Hell, um coração que galopa errante e não cansa da batalha, ao contrário, foge do repouso impetrando duelos já perdidos, e por fim um tabernáculo que por vezes se cobre de adornos a fim de retaliar uma alma em andrajos.
Os ecos,
Os vultos,
Os instantâneos,
A memória olfativa,
São grilhões de mim para mim em Marte.

E a beleza está na ambigüidade...

8 de abril de 2008

Um saco cheio de alfafa

Este é o meu legado... venho aqui apenas para lembrar-lhes, meus caros, convivas, que esta Calíope que vos fala está prestes a completar mais um outono. Assim, com a alma por lavar, pois que um ciclo se encerra e faz-se necessário enterrar um chumaço de cabelo e consagrar à terra o que temporariamente tomamos de empréstimo, declaro minha herança aos próximos confrades que virão, assim como nós, a ter seus sacos repletos. Herdarão de mim um saco de alfafa. Sim, posto isto em minha cápsula, para lembrar que antes de trocarmos suor e neurônios por dinheiro os trocávamos por alfafa, sementes, tomates e coisas igualmente não-impressas. Alimentem seus bichos de comida e suas almas de palavras, que o corpo a terra se encarrega de carregar e as moléculas, que são de carbono, se refazem numa nova cadeia e seremos, quiçá, alfafa outra vez!
Assim, toda a nação será salva e pagaremos qualquer preço, suportaremos qualquer fardo, apoiaremos qualquer amigo, opor-nos-emos a qualquer inimigo par agarantir a sobrevivência e a vitória da liberdade!
Assim seja.

7 de abril de 2008

Outro motivo

Um confrade longínquo e afin me diz, de um tempo que bem parece hoje, embora há muito vivido, que a grande conquista de nossa humanidade, ao menos até agora, é não precisarmos temer constamente as feras selvagens, os bábaros, os deuses e os nossos sonhos. Calíope, montada em sua ignorância secular, acata essas palavras em sua doce alma e sente-se profundamente grata, obedecendo paciente a ordem do folósofo-profeta com o qual compartilha uma existência de aspirações. Cosmopolitas que somos, nada tememos das feras selvagens e metidos em blogs e toda sorte de meios de comunicação instantêneas, bem sabemos que os bárbaros de nosso tempo são outros... Daí a não temer os Deuses... bem, creio que conquistamos intimamente esse benefício após anos de campanha capitalista e requisições divinas do direito à riqueza e aos prezeres mundanos. Agora, eu te pergunto, seu Frederico: tem metafísica mais abrasadora na vida que a de não precisar temer nossos próprios sonhos?Auto-crença. De todas as balelas modernas, ocidentais e acidentais com as quais nos acostumamos conviver, esta é uma verdade que não nos ensinam nem supõe-se fazê-lo. Apegada a esta idéia, passo a mão no guarda-chuva meio Mary poppins, meio Gene Kelly e pergunto-me - olhos brilhantes de curiosiddae: o que faria se acreditasse em mim?Ah, super-homem, verás! Que eu não tardo...

4 de abril de 2008

...

Depois de descer até o fundinho Piaf saca um lápis e desenha um pequeno alçapão pelo qual passa com certa dificuldade, ao chegar ao fundo novamente, desligada que é, descobre ter deixado o lápis lá em cima, mas teimosa como uma mula começa a cavar a fim de ir mais fundo...
Se estivesse à luz do dia, pediria aos deuses (sim com minúscula), que lhe transformassem na 8ª Plêiade e fugiria das mazelas deste mundo.
Cansada, irritada e no escuro, tem como consolo que a merda nunca está completa, e que somente ela com suas próprias mãozinhas pode piorar as coisas e de fato o faz...
Depois, com o saco cheio lamenta...
Se ao menos não estivesse no fundo deste poço...

2 de abril de 2008

Só hoje...

Vocês me fazem correr demais... os riscos desta highway, mas não importa se só tocam o primeiro acorde da canção, a gente escreve o resto definitivamente sem muita pressa e a seis mãos, e o resultado? Indescritível! Indefectível! Nunca pensei que as palavras pudessem expressar tanto meus sentimentos... Salve minha ignorância, pois ela me salva! A culpa é da semântica, afinal... diferenças semânticas são factíveis, plagiando descaradamente Calíope, mas hoje o saco está leve, esvaziou-se, e tu Zoroastres? Reclamão! Após fartar-te com os cubinhos de eskibom em tão aprazível companhia, tinhas ainda o antídoto e o placebo, amamos-te! Que mais quereis?

Certamente não falas de mim quando se diz invisível... Bem sabes o quanto te vejo! Ainda escreverei-te um tributo de gratidão, és totalmente responsável por uma união que nunca se desfez e agora tomais parte nisso! Deixe-me ser este leãozinho egoísta e proibir-te de não fazer parte desta alegria...

Ainda que pra ti queiras todo o antídoto, divíde-o um pouco com outros pois ainda assim te fará bem... Te asseguro!

Vem comigo, dá-me tua mão! Fazes tu também as pazes com a vida! Só hoje.