(queridos amigos pudicos, não leiam este texto por favor)
Minha mãe me perguntou: e o namorado? Num misto de fúria e embaraço (odeio qdo ela faz isso) respondi: que namorado?
Não pude deixar de pensar, de onde ela tirou isso? Vasculhei minha memória recente atrás de indícios, ah, sim lembrei, ela presenciou algumas conversas ao celular com um amigo e foi logo tirando suas precipitadas conclusões, então pensei, o que faz do cara um namorado?
Transa. Logo descartei, mesmo pq já tive namorado com quem não transava e já tive transa com quem (graças a todos os poderes do Universo) não namorei.
Afeto. Não, definitivamente não. Sou absurdamente afetuosa com meus amigos (mesmo qdo me refiro a eles carinhosamente como babaca FDP).
Comprometimento. Ah sim claro, se vc está comprometido com uma pessoa, com certeza vcs NÃO estão namorando.
Coração saltitante. Sabe aquela coisa (coisa = sensação) do coração sair pela boca? Então isso tb não é, mesmo pq meu coração quase saiu pela boca quando eu vi o Luis fernando Veríssimo de pertinho e eu tenho certeza de que ele não é meu namorado.
Brilho no olhar. Chegamos ao ponto. O brilho no olhar é tuuuudo na vida de uma pessoa romantica e apaixonada (falarei sobre o romantica e apaixonada mais a frente). Recentemente encontrei o tal brilho no olhar, cheguei em Jandira interior de SP, pra um bate e volta rapidinho, à trabalho, no meio do caminho, na Castelo Branco, começaram a “brotar” nuvens negras no céu, menos de 3 minutos e alguns quilometros depois desabava a maior chuva, mandei bala pra dentro da minha capa de chuva 30x maior do que eu e fiquei com cara de “Ué!” olhando meu lindo sapato social ficar encharcado (ainda bem que era de verniz), enfim cheguei, um belo condominio empresarial, após minha árvore genealógica, declaração de imposto de renda e juras de que eu não era terrorista e nem outros “istas” consegui entrar e estacionar, pingando como se estivesse saindo do chuveiro, me livrei de todo o aparato “ não se molhe” que na verdade não adiantou tanto quanto eu esperava e fui ao encontro do (até então eu não tinha idéia) brilho no olhar. Fui atendida prontamente e confesso me senti muito bem com tanta solicitude, após alguns minutos de espera pela diretora, uma inglesa bonita, loura e magra (odeio gente magra, se eu não posso emagrecer então quero mais é que todo mundo engorde, prontofalei) residente na África do Sul, e passando uns tempos em Sampa (creio que com o único intuíto de me constranger), nosso intérprete amenizando (ou tentando) as investidas furiosas contra os prazos não cumpridos que havíamos dado, incrivelmente, na contramão da história, este era meu momento de tranquilidade e lucidez e consegui reverter o jogo a nosso favor, mesmo com todos os elementos contra, consegui a confiança da diretora e posteriormente fechamos outros negócios, mas o que realmente importa neste caso, o brilho no olhar já estava lá, ainda tivemos uma pausa para o happy birthday de uma funcionária bastante maluca, que fez um discurso (quase) emocionado e bastante puxa saco e fui me retirando, vamos a cena do crime...
Final de tarde, os últimos raios de sol estão deixando o céu (com a tranqüilidade de um adolescente), visto minha roupa de astronauta (nada sexy) e ele, com brilho no olhar segura minha bolsa social gigantesca (pra caber tudo, sem sacanagem), poucos dias depois estamos assistindo Bastardos Inglórios, no HSBC Belas Artes, tomamos Norteña no Eugenio, nos beijamos num chafariz, saímos pra beber com meus amigos na Avenida Nova, passeios proveitosos e divertidos e o brilho no olhar ganha legenda com a frase: eu acho que vc deveria terminar agora seu drink e deveríamos ir a um lugar onde pudéssemos ficar mais a vontade. Um dos meus inimigos imaginários neste momento rola no chão de tanto rir dizendo-me: brilho no olhar heim gatinha, acho que não!
Pausa pra me recuperar de um instante de depressão...
Acho que não sei o que é um namorado, já aconteceu mas faz muito tempo... Meus amigos já não me perguntam mais se estou namorando faz tempo, já se acostumaram a perguntar: tá pegando quem?
Mas , sou de verdade uma pessoa romântica e apaixonada. Gosto que as pessoas que amo (eu amo muito as pessoas, sem sacanagem 2) sintam-se realmente... amadas, cuidadas por mim, gosto de promover passeios e encontros salutares, gosto de cozinhar e proporcionar um ambiente agradável, mimo, dou presente, ligo milhares de vezes, escrevo pra elas, penso que se alguém faz parte da minha vida que ao menos o faça direito. E apaixonada no sentido de enxergar a vida e as pessoas com brilho no olhar, me interessam as dores e as conquistas das pessoas que me cercam. As cenas do meu dia-a-dia são pintadas em tons pastéis, mas há que se ter fome de vida em alguns momentos, há que se usar cores vibrantes em muitos momentos. Isso não faz de mim a Sra. Recato, tb tenho fome no olhar, também sinto desejo e não deixo pra depois, mas nunca, em hipótese alguma, permito que este desejo se vista com pele de cordeiro, as coisas são o que são, nem mais nem menos importantes, apenas o que são.
Como diria uma amiga: baixe seus padrões ao nível terrestre e vc vai encontrar alguém interessante. Será? Será que alguém interessante me basta? E se bastar, bastará por quanto tempo? Quantas paginas serão necessárias para uma pessoa interessante se tornar desinteressante, depois maçante e logo insuportável?
Ainda quero o impossível de se encontrar, ainda gosto do gosto estranho que é gostar do que ninguém mais gosta e ficar sem opção. Ainda me apaixono pelo impossível porque se fosse possível me repeliria. Ainda fujo do real. Mas principalmente, acredito com todas as forças de todas as fibras do meu ser, que é possível.
Piafizinha, não namorando e feliz.
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