Perdida em meu jardim observo duas borboletas amarelas e uma preta e amarela... Lindas... Me inspiram...
Entro em uma rede social, vejo umas bolinhas verdes que também me inspiram...
Corro para a confraria...
Amanheci com Bukowski hoje, ele também me inspira...
Em meio a tantas inspirações e quase nenhuma transpiração abro minha torneira e deixo que transbordem os pensamentos...
Nesta épocas de pés nas portas, quando as pessoas não têm mais tempo algum umas para as outras pois estão muito ocupadas e sempre atrasadas, é um achado encontrar alguém para dividir umas horas, seja numa praia maravilhosa, ou num banco de praça do bairro, seja num boteco ou num lugar mais refinado...
Sou uma destas pessoas que gostam de fazer nada em boa companhia, qual não é minha frustração por não arranjar boa companhia com tanta frequência...
Meu espanto foi encontrar boa companhia com conteúdo, essência e sensibilidade...
Vivemos o momento trash food (ou fast, prefiro trash), nossa pressa não nos permite escolher o que comer, por vezes não escolhemos nem a quem comer... ninguém quer ter trabalho, nunca vi ninguém num restaurante invadindo a cozinha e perguntando como foi preparado o prato, com quais ingredientes, quanto tempo levou... Estamos arrastando este hábito para nossas camas também... E cada vez mais os índices de depressão aumentam... É claro, fazemos tudo errado... olhamos para as pessoas à procura do que elas têm para nos oferecer, preferencialmente dentro do menor tempo possível, marcamos encontros ao qual não comparecemos, fazemos promessas que não cumprimos, chegamos à lua mas não conseguimos atravessar o escritório e perguntar para um colega porque seus olhos estão nublados hoje.
Conversamos com a China, mas não damos bom dia no elevador, olhamos em volta e não encontramos nada pra fazer de interessante, ninguem que mereça nossa tão preciosa companhia...
Dia desses dei corda para um mendigo na praça da República...ele me disse que meu marido era um cara de sorte, dei risada e respondi que Eu era uma mulher de sorte por não ter um marido, ao que ele respondeu: os homens estão cegos e loucos... aquele mendigo de praça, Sr. Arnaldo, ex caminhoneiro, salvou meu dia e colocou um sorriso enorme no meu rosto... coisa que muito amigo não é capaz de fazer...
Bem recentemente ouvi de um homem maduro: não gosto de ser usado, achei que era uma tirada engraçada, não era, era a verdade...
Onde estão as pessoas que ainda não aprenderam a usar as outras?
Sinceramente?
Style só por hoje, para mim, é ser humano, é sofrer a dor de quem de repente nem amamos, mas respeitamos. É ter a sensibilidade de não machucar as pessoas ainda que se atropele o próprio orgulho...
Style é ter a liberdade de tomar atitudes com o coração em paz, porque nossas atitudes não destroem, não ferem...
Style é ser antes de ter.
Piafizinha, refazendo mentalmente a lista de todas as merdas que já fez, todas com muito Style...
3 de novembro de 2013
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