O sol ilumina mas não queima, traz nuances do arco-íris, e permeia meus instantâneos, mais permanentes (agora) do que nunca (...porque o agora é somente o que existe pra mim? Porque o ontem insiste em existir e ainda assim já é inalcançável? Porque o amanhã que por certo há de chegar parece estar a mil léguas de distância?)
Que há neste sol que brilha tanto e parece irradiar partículas de felicidade, que ao mesmo tempo banham meu corpo e me escapam pelas mãos? Que é este calor que sinto pelo que não vivi? Que é este sentimento que nunca virará ação pelo simples fato de que a ansiedade que sinto é imensa e imersa em expectativas a tal ponto de torná-lo impossível?
Por frações de segundos tento entender por que, tento mudar as coisas, mas quando dou por mim meu sonho já me consumiu, acordo e volto a dormir, na vã esperança de que o sonho continue, pois a realidade é sempre finda e finita, mas o sonho não, o que há dentro de mim não.
Um misto de prazer, dor, angústia, desespero, gozo e tormento me entorpecem e a realidade já não sei se está em mim ou nos outros, já confundo meus eus imaginários com o meu eu real e nem sei se o real existe ou me é factível. Pergunto-me se em algum momento haverá neste mundo alguém a quem queira entregar meus delírios mais insanos, alguém que não se importe em ser de verdade amado, adorado, desejado à exaustão, como creio que não, nem inicio a busca, mais uma vez implodo-me num soluço silencioso.
Que há em mim que atrai e repele em fração de segundos a idéia do nós? Que é este fascínio que sinto pelo outro e que se extirpe tão logo o toque? Que é esse fogo que só arde em mim, uma brasa que não diminui, mas que também não consegue aquecer? Que é toda essa energia desperdiçada, fazendo meu sangue borbulhar em minhas veias enquanto minha boca se cala, meus olhos se fecham e meu coração insiste em congelar o tempo, o espaço. Que são estas pernas correndo involuntariamente de tudo o que possa me aparecer?
Se exijo o muito é porque estou disposta a oferecer muito, em tempo algum me contentei com menos do que o tudo.
Piafizinha, não cabendo mais no mundo por já ter tido o mundo a seus pés.
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