7 de abril de 2008
Outro motivo
Um confrade longínquo e afin me diz, de um tempo que bem parece hoje, embora há muito vivido, que a grande conquista de nossa humanidade, ao menos até agora, é não precisarmos temer constamente as feras selvagens, os bábaros, os deuses e os nossos sonhos. Calíope, montada em sua ignorância secular, acata essas palavras em sua doce alma e sente-se profundamente grata, obedecendo paciente a ordem do folósofo-profeta com o qual compartilha uma existência de aspirações. Cosmopolitas que somos, nada tememos das feras selvagens e metidos em blogs e toda sorte de meios de comunicação instantêneas, bem sabemos que os bárbaros de nosso tempo são outros... Daí a não temer os Deuses... bem, creio que conquistamos intimamente esse benefício após anos de campanha capitalista e requisições divinas do direito à riqueza e aos prezeres mundanos. Agora, eu te pergunto, seu Frederico: tem metafísica mais abrasadora na vida que a de não precisar temer nossos próprios sonhos?Auto-crença. De todas as balelas modernas, ocidentais e acidentais com as quais nos acostumamos conviver, esta é uma verdade que não nos ensinam nem supõe-se fazê-lo. Apegada a esta idéia, passo a mão no guarda-chuva meio Mary poppins, meio Gene Kelly e pergunto-me - olhos brilhantes de curiosiddae: o que faria se acreditasse em mim?Ah, super-homem, verás! Que eu não tardo...
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