8 de março de 2013

Contos da Fada Male.




Era uma vez uma fada, a fada da paz, ela não se parecia exatamente com as fadas dos contos, era gordinha, de língua afiada, humor ácido e temperamento difícil (você deve estar estranhando essas características numa fada, mas... esse é um conto real), tão real que ela tinha que trabalhar para se sustentar, era avessa ao capitalismo exacerbado, mas sentia profundo prazer pelas conquistas próprias, ainda que não tivesse conquistado lá grandes somas... antes, valorizava a conquista das pessoas, interessava-lhe cenas corriqueiras do quotidiano e sentia imenso prazer por extrair de cenas de anônimos a (sua) real beleza da vida. Lia desesperadamente para preencher a mente; cada livro uma viagem, um amigo, uma nova antipatia, uma crítica, um conceito e assistia TV para esvaziá-la... adorando desenhos animados... Divertia-se com a falta de compreensão das pessoas e apaixonava-se com a compreensão.
Esta fada, definitivamente não era como as outras, era meio como uma fada de si mesma, todos os dias repetia que sua paz não estava à venda, com este conceito decidia quais batalhas desejava travar...
Durante muitos anos, uma medonha criatura das trevas tentava roubar da pequena fada seu sorriso e nunca conseguira entender sua capacidade de continuar exibindo-o à despeito de todas as maldades sofridas. A medonha criatura das trevas não sabia que a fada chorava e sofria porque nunca a conheceu de verdade, preferiu observá-la à distância e sofria terríveis cólicas renais cada vez que qualquer coisa boa acontecesse à fadinha da paz, estas cólicas estendiam-se aos intestinos quando por ventura ouvia alguém lhe falar bem da fadinha...
Passou-se muito tempo e a fadinha um dia percebeu que não adiantava ignorar a existência da terrível criatura, não importava o quanto não revidasse, sua paz estava sempre ameaçada e talvez por falta de revide, a criatura fora ficando mais ousada  e sentia-se ganhando terreno, avançando e investindo cada vez mais contra a fadinha, nunca se importando com os outros seres da floresta... nesta batalha unilateral, filhotinhos perderam seus  ninhos, amizades foram se perdendo, até a própria família da criatura fora atingida, mas seu ódio cego e obstinado parecia infinito e ilimitado... Por desconhecer a tamanha devastação que causava à fadinha usava de todos os métodos para extinguir seu sorriso e sempre se frustrava, sua repulsa só fazia aumentar.
Um dia, a fadinha já velha e cansada, um pouco doente e muito triste, resolveu olhar seu álbum de fotos... Lembrou-se de que na verdade era uma bruxa e não uma fada avaliou que sua paz já se comprometera por tempo demais, neste momento ela suspendeu sua mão direita estalou os dedos anelar, médio e polegar (ela nunca conseguira estalar os dedos doutra forma) e transformou a criatura em uma carranca de madeira que passou o resto da sua existência de costas para a floresta, de onde não podia ver o semblante da fadinha mas podia ouvir o quanto ela fazia a vida de tantas pessoas feliz, servia também como aparadouro para cocô de pombos.

Piafizinha, pagando uma boiada pra não sair de uma briga.

Um comentário:

O Mascate disse...

É, pequena fada...a vida nos prega peças diuturnamemte, mas com a ajuda de alguns, ela se torna insuportável por alguns momentos.
A luta diaria já é árdua, e com alguém "ancorando" nossos dias, fica impraticavel manter o bom humor.
Mas em minha filosofia acredito que os pequenos, os vís, e os mediocres caem por tropeçarem em sua própria arrogância, portanto, a melhor maneira de lidar com os menores é ignorá-los. Nunca a ponto de faze-los acreditar que estamos recuando ou amedrontados, apenas ignorar mantendo-os além de nossa zona de conforto. E quando ultrapassarem as fronteiras do permitido, temos que mostrar nossa força, e se possível, ou necessário, afoga-los na própria mediocridade e em seu próprio veneno..
A vida é mais, e muito curta, se deixarmos que outros nos aflijam ou nos amedrontem, ela se torna ainda mais dificil.
Portanto, minha querida, atropele os mediocres com seu brilho e com sua doçura. Nada mais fatal para um ser patético do que ver aqueles que odeiam felizes e realizados, mesmo nas pequenas coisas.

E por favor, sua escrita é leve e ótima de ler, então, não abandone este hábito e muito menos não deixe de nos brindar com seus textos.
Pense que escrevendo muita coisa pode aparecer de bom na vida. Talvez seu foco esteja olhando para o lado errado da profissão.
Jornalismo, e redatoria, talvez sejam um bom caminho, acredite.

Bjs and good luck.