18 de março de 2013

Pela pamonhalização das famílias!

Assisti um vídeo maravilhoso em sala de aula hoje, tão maravilhoso que me fez correr pra casa e escrever, queria poder exortar, tal qual um pastor religioso daqueles bem fanáticos, a todos os pais mães e filhos: assistam-no e mais do que isto, pratiquem-no!

Sou uma mãe muito feliz, não completamente realizada porque isso encerraria minha carreira como ser humano, mas muito feliz!

É lógico e evidente que, como todo ser humano nascido num regime capitalista, tenho minhas necessidades imediatas, mas não me curvo à elas, não sou uma vítima frustrada do imediatismo.

Fui criada em uma família que se sentava à mesa para todas as refeições, as quais eram preparadas em casa, raramente com semiprontos e mais raramente ainda sem verduras ou uma boa dose de coisas saudáveis, sentávamos e conversávamos, como toda adolescente, era inquieta e achava que sabia mais do que todo mundo, não raramente pensei: lá vem mais blá blá blá ou já ouvi isso um milhão de vezes...

Hoje sou uma jovem senhora feliz, me lembro de cada detalhe dos discursos que ouvia sistemática e impacientemente, tenho milhares de lembranças de todas as coisas que fazíamos juntos, aprendi o valor do trabalho, o valor do sacrifício e o valor da família. Sempre soube que comida não brotava na mesa tanto quanto roupas não brotavam no guarda roupas, embora sempre tenha possuido muito mais roupas do que seria capaz de usar ou muito mais comida do que seria capaz de comer.

Aprendi muito cedo o valor da gratidão, aprendi muito cedo a valorizar, ouvir e aprender com os mais velhos e minha mente é povoada por lembranças, conselhos e pequenas alegrias que só sente quem as viveu.

Hoje sinto-me satisfeita por repetir este modelo de educação, muito embora na época ele não me parecesse o melhor...

Hoje, divido as panelas com meus filhos e muitas outras coisas, é indescrítivel a sensaçãoo que sinto quando meu filho mais velho me supera no preparo  de algum prato ou meu filho mais novo se desmancha saboreando minhas "invencionices" gastronomicas, é maravilhoso quando eles me perguntam como preparar algo ou pra que serve determinado condimento.

Mas nem só de comida viverá o homen (nem a mulher), nos divertimos, aprendemos e evoluimos realizando reparos na nossa casa e até desmontando o morimbundo motor da geladeira e trazendo-o de volta à vida, trocando pisos ou levantando paredes, quando fazemos algo juntos sinto uma indescritível sensação de enobrecimento da alma, sinto que estamos construindo com argamassa da paciência ( muitas vezes da tolerância) e do amor,  algo pra sempre, algo do qual nos lembraremos com um sorriso nos tempos de bonança e com uma lágrima nos tempos de dor...

Sei que muitas pessoas acham tudo isso uma bobagem, não é pra estas pessoas que escrevo, elas não entenderiam...

Não são raras as vezes que preciso lembrar (não sem dor no coração) qual é a nossa realidade e eu realmente não estou disposta a pagar em 5 vezes um tênis novo, não é demérito falar sobre isso e ensinar isto aos meus filhos, mas realmente acredito que as pessoas, todas elas devem aprender a conhecer o valor das coisas antes de conhecer o seu preço.

E antes que me chovam pedras, gosto sim e muito de dinheiro, gosto das coisas  que posso comprar e proporcionar com ele porém só pode ser realmente bom se for proveniente do meu esforço, desde sempre me alegrei com as minhas próprias conquistas e hoje carrego comigo esta característica da adolescência, tenho necessidade de mensurar o valor que as coisas têm para mim e não saberia fazê-lo se elas simplesmente brotassem do nada...

Piafizinha, muito feliz por saber que não é tão estranha quanto se achava.

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