21 de março de 2012

Divagando na tristeza...

Meu coração se alaga na tristeza, minha mente divaga por mares e ilhas distantes, lugares inabitados onde a maldade e a hipocrisia não têm ânimo para chegar. Dou voltas a procura de abrigo contra estes sentimentos, busco desesperadamente os braços da paz o acalento da serenidade. Faço a contabilidade dos meus dias em busca de um motivo, de um porquê para todas as minhas dúvidas em relação à natureza humana, mesquinha e medíocre.

Navego por mares escuros, porém tranqüilos, busco na solidão o abrigo do silêncio, sento-me à sombra do vento e deixo que minhas tristezas tomem posse de mim, porque assim deve ser em muitos momentos, porque ninguém é feliz de verdade sem ter chorado, porque não se conhece o bom até ter-se provado em meio a toda a maldade do mundo, apenas faz-se idéia, apenas supõe-se...

Encontro gratidão em todos os meus momentos e em cada partícula do meu ser, em meio a tantas dúvidas e incertezas, minha única certeza é a gratidão que sinto por meu Pai, por tantas oportunidades que me dá de crescer a cada dia, pelo Seu amor que me inunda constantemente junto a consciência do belo que há ao meu redor, a despeito de todas as dores, de toda injustiça, meus olhos vêem esperança pois consigo encontrar ainda que em poucos instantes em poucas circunstâncias, meus iguais. Sou grata por saber que há lucidez em meio à insanidade. Sou grata por perceber bondade em alguns corações e o desejo pela justiça, pela verdade, pelo amor fraterno.

No meio de toda a minha dificuldade de amar, de expressar meu amor, encontro uma ponte para corações decentes, para mentes saudáveis.

Divido meu suor, minhas lágrimas e minhas conquistas, até a última porção com a certeza de quem nada espera em troca, apenas acredita estar fazendo o que é certo.

Adormeço infinitamente para o mundo de futilidades que me cerca, por vezes deixo-me sugar num espiral de tristezas que me consome ao ver tanta energia desperdiçada em vão... tanta falta de valores...

Então me armo, como um porco espinho ou um ouriço do mar, pronta a espetar quem quer que tente me apertar e por certo o farei. Usarei sim todas as minhas forças para manter-me longe de toda influencia debilitante.

E continuo minha batalha constante contra a imensa tristeza que todos os dias me quer consumir e depois de dormir com minhas lágrimas, acordo e me visto com meu melhor sorriso, pois minhas dores são só minhas, e se hei de levar algo ao mundo, que seja meu sorriso ou meu riso debochado ou a piada infame porque a vida já pesa demais para que a tornemos ainda mais pesarosa. Porque tornar as pessoas ao meu redor amargas ou infelizes não me fará menos amarga ou infeliz.

E mais uma vez grata, brindo à beleza da vida, às cores que me cercam, porque não importa o quanto meu fardo pese, não importa o quanto me pareça impossível as pequenas cosias que almejo, continuo pintando meus dias em tons pastéis e continuo acreditando fortemente na possibilidade de conquistá-las. Continuo acreditando na nobreza do ser humano, ainda que em parcos momentos ela realmente se manifeste, continuo acreditando no amor fraterno e muitas vezes desejo tomar nos braços algumas pessoas e mostrar-lhes a beleza do amor que sinto, se pudessem ver através dos meus olhos todo o potencial que têm para o bem, sei que desejariam apenas multiplicar a bondade, se pudessem vislumbrar que mundo maravilhoso poderiam criar ao seu redor, para si e para os que as cercam, sei que desejariam entender mais e julgar menos, pois teriam aprendido a olhar com olhos de amor e teriam percebido que não há outra forma de ser feliz, ainda que seja uma felicidade boba, ainda que nos pareçamos tolos e muitas vezes inocentes demais, não importa, se é o preço que se paga pela serenidade, está bem pago. Porque quem ama não precisa ter razão, antes de iniciar uma discussão entende que o mais importante é estar bem com o outro, quando este sentimento se torna uno, quando todos olham na mesma direção, pensa-se duas vezes antes de dizer ou fazer qualquer coisa que possa machucar, ofender, magoar, infelizmente, só funciona com os iguais, é uma regra que se aplicada aos tolos, nos tornará tão miseráveis, tão infelizes, apenas capachos a serem pisados, então endurecemos e nos tornamos pessoas não tão agradáveis, porque vivemos num mundo onde não se pode ser bom, sob pena de virar tapetinho.

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