14 de agosto de 2013

Borboletas são flores que voam.

No último domingo tive o prazer de visitar pela primeira vez um borboletário, me perguntaram o que era um borboletário e respondi que era como um orquidário só que com borboletas, pensando bem, parece que foi uma resposta idiota, mas convenhamos, a pergunta tb não foi das mais criativas...
Sempre amei as borboletas, desde... desde sempre, nunca me questionei sobre a razão desta paixão, lua, céu, sol, borboletas e flores, mais ou menos nesta mesma ordem...
Talvez sejam as cores, talvez a liberdade, a beleza, a delicadeza, a força da superação... certamente sou fã da metamorfose por me identificar profundamente com este estado de permanente mudança...
A vida destas flores dura em média 15 dias após a saída do casulo, é uma vida muito breve, muito intensa e muito linda, suas principais atividades nesta breve vida são comer e se reproduzir e ainda tem gente que não entende minha paixão por estes pequenos tesouros...
Refletindo sobre a breve vida das borboletas, mais uma vez me identifico, vejo a vida como um breve cochilar, quem já deu aquela famosa piscadela e teve um sonho de segundos, abriu os olhos olhando assustado em volta pra saber se alguém havia percebido, sabe bem do que estou falando...
Pois é este o conceito que tenho de vida, nossos parcos 60, 70 anos de existência na Terra, não passam de um sonho num cochilo, penso que um dia abriremos os olhos em nosso estado natural, nos reconheceremos como irmãos amados e sentiremos orgulho ou vergonha de nosso comportamento na Terra, da forma como nos tratamos, das pequenas gentilezas ou pequenas mesquinharias...
Nosso amor e nosso ódio, nos serão neste momento bem menos intensos, nos entenderemos como iguais...
Tive oportunidade de estar a sós com um pedaço do paraíso, tive uma pequena borboleta pousada em meu indicador pelo que me pareceu uma eternidade, foi incrível o fato de ela não ter voado, bastava um simples bater de asas... mas ela permaneceu ali, como que me ouvindo, que gratidão sentiu meu coração por esta imensa gentileza da natureza, restou-me agradecer a companhia e devolvê-la a um galho com a mesma delicadeza com que ela veio a mim...
Meu coração estava repleto de gratidão e alegria, aquele lugar mágico corroborou minha crença em tantas coisas maiores... o calor que senti no peito transbordou por meus olhos em lágrimas quentes de felicidade, de plenitude.
Sempre me manifestei como alguém de outro mundo, não consigo entender as regras deste, não consigo jogar este jogo, me sinto estranha em meio a multidão.  Momentos como este me fazem lembrar que este realmente não é o meu mundo, me fazem lembrar que esta vida é só um sonho passageiro e então me esforço para que seja um sonho bom. Embora muitas vezes eu perca toda a minha paciência, na maior parte do tempo eu tento conviver em paz com os personagens deste sonho que hora parece belo, hora parece estúpido.



Piafizinha, pensando que  borboletas parecem flor que o vento tirou pra dançar (O Teatro Mágico). 

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