Sempre amei as borboletas, desde... desde sempre, nunca me
questionei sobre a razão desta paixão, lua, céu, sol, borboletas e flores, mais
ou menos nesta mesma ordem...
Talvez sejam as cores, talvez a liberdade, a beleza, a
delicadeza, a força da superação... certamente sou fã da metamorfose por me
identificar profundamente com este estado de permanente mudança...
A vida destas flores dura em média 15 dias após a saída do
casulo, é uma vida muito breve, muito intensa e muito linda, suas principais
atividades nesta breve vida são comer e se reproduzir e ainda tem gente que não
entende minha paixão por estes pequenos tesouros...
Refletindo sobre a breve vida das borboletas, mais uma vez
me identifico, vejo a vida como um breve cochilar, quem já deu aquela famosa
piscadela e teve um sonho de segundos, abriu os olhos olhando assustado em
volta pra saber se alguém havia percebido, sabe bem do que estou falando...
Pois é este o conceito que tenho de vida, nossos parcos 60,
70 anos de existência na Terra, não passam de um sonho num cochilo, penso que
um dia abriremos os olhos em nosso estado natural, nos reconheceremos como
irmãos amados e sentiremos orgulho ou vergonha de nosso comportamento na Terra,
da forma como nos tratamos, das pequenas gentilezas ou pequenas
mesquinharias...
Nosso amor e nosso ódio, nos serão neste momento bem menos
intensos, nos entenderemos como iguais...
Tive oportunidade de estar a sós com um pedaço do paraíso,
tive uma pequena borboleta pousada em meu indicador pelo que me pareceu uma
eternidade, foi incrível o fato de ela não ter voado, bastava um simples bater
de asas... mas ela permaneceu ali, como que me ouvindo, que gratidão sentiu meu
coração por esta imensa gentileza da natureza, restou-me agradecer a companhia
e devolvê-la a um galho com a mesma delicadeza com que ela veio a mim...
Meu coração estava repleto de gratidão e alegria, aquele
lugar mágico corroborou minha crença em tantas coisas maiores... o calor que
senti no peito transbordou por meus olhos em lágrimas quentes de felicidade, de
plenitude.
Sempre me manifestei como alguém de outro mundo, não consigo
entender as regras deste, não consigo jogar este jogo, me sinto estranha em
meio a multidão. Momentos como este me
fazem lembrar que este realmente não é o meu mundo, me fazem lembrar que esta
vida é só um sonho passageiro e então me esforço para que seja um sonho bom.
Embora muitas vezes eu perca toda a minha paciência, na maior parte do tempo eu
tento conviver em paz com os personagens deste sonho que hora parece belo, hora
parece estúpido.
Piafizinha, pensando
que borboletas parecem flor que o vento
tirou pra dançar (O Teatro Mágico).
Nenhum comentário:
Postar um comentário