18 de julho de 2013

Minha incrível capacidade de sentir a mesma dor.



Será normal chorar lendo e-mails antigos? Será normal doer de novo e de novo e de novo, num ciclo infinito?
Lendo as Paixões da Alma, de Descartes, pode-se compreender melhor o processo que nos faz sentir ainda que em menores proporções, as emoções já vividas...
Hoje abri minha caixa de e-mails, que curiosamente já não visito tão frequentemente e bateu uma certa nostalgia, somando minhas contas, chego aos 5000 e-mails não lidos e não tenho certeza de quantos lidos e relidos à exaustão...
Alguns nomes e assuntos me vêm à mente quando olho praquela caixinha de pesquisas, hoje, não cedi ao impulso de revirar o passado, nem de reviver antigas dores ou antigos risos, hoje só por hoje, minhas dores e meus amores fazem parte de um passado que não quero convidar para o jantar, só por hoje, decidi viver o momento, Carpe Diem...
Não que para mim, viver o momento signifique exatamente isto, na verdade sinto todo o peso da culpa só por usar a expressão, só quem tem alguma noção de perspectiva de eternidade pode entender o significado desta "culpa".
Vivi por cerca de uma década pensando no amanhã e outra desejando que simplesmente não existisse amanhã...
Vivi dias de sorrisos e dias de lágrimas, ao contrário do que eu julgava ser o normal, eles não se intercalaram muito... Houveram muitas mais lágrimas do que sorrisos e posso afirmar com todo orgulho de tola que possuo, sou a culpada por cada um deles. Tenho orgulho sim de dizer que manejo a pena que escreve a minha história e sinto certo desprezo pelas pessoas que tentam segurar minha mão enquanto escrevo, desprezo-as por me conhecerem tão pouco, por acreditarem que com suas sutilezas podem fazê-lo... Lamento, não o podem! Meu humor é tão sensível e vive mudando, mas minha essência é exatamente como deveria ser. Sempre me senti feliz por ter a capacidade de tomar decisões, algumas requerem algum imediatismo, nem sempre tomei as melhores, mas invariavelmente fiz o que acreditei ser o certo e sempre aceitei de bom grado os méritos e deméritos que as acompanharam...
Tenho meus traumas, minhas limitações, meus pudores, meus medos, sei que a maioria deles encontram raízes num momento de minha vida em que minha voz foi convidada a calar-se, sei que me perdi de mim e que até hoje procuro alguns cacos escondidos, mas nada disso me impede de acreditar na beleza da vida, apenas me arremessam a alguns chiliques uma hora ou outra, não tolero muito bem algumas situações que me levam a esta época e também não tenho muita paciência para explicá-la às pessoas, à estas, basta que conheçam os limites do quanto podem entrar ou não na minha história e todo mundo fica bem.
Quando passo os olhos pela Elminha magricela e adolescente, chego a desacreditar na força que vejo, chego a invejá-la em sua determinação, mas acho que envelhecer também significa isso, perde-se um pouco o brilho, apaga-se um pouco da chama...
Elminha, não precisando reler a vida para sentir um grande nó na garganta.

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