Se calhar, tudo são palavras... Tráfego, chefe, dívida, cachorro, gerente de banco, colega de trabalho, balconista de padaria... Palavras flutuando como chuva sem fim dentro de um copo de papel, diriam os besouros prateados.
Sem metafísica nem transcendência, elas se movem como um vento incansável dentro de uma caixa de correio, sobrepujando as outras - aquelas de que gostamos - e nos convidam, como na música, a ir pelo universo... Difícil afirmar que nada vai mudar nosso mundo. Sofrível declinar ao convite das palavras mágoas, enquanto se espera que as palavras luzes nos concedam a contradança.
Daí, sons de risos nos atordoam e insones aguardamos, contrafeitos e amuados, a próxima rodada. Calha de rodas e voltam a girar a luzes como um milhão de olhos de crianças. Glória ao mestre! Sorvete, água doce, serpentina, pôr-de-sol, chocolate... Só palavras.
26 de março de 2008
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