3 de novembro de 2010

Agulha, linha... login

Nesta época da blogosfera, onde recado virou scrap e o mundo do S2 invadiu as telas...

Ainda gosto do bom e velho lápis e papel, ainda escrevo para as pessoas que amo, e me emociono quando recebo algo parecido, embora seja cada vez mais raro.

Quando vejo a mensagem, solução do problema de conexão bem sucedida, procuro o botão de muito obrigada para clicar, mas só acho o ok... Embora certas vezes eu tenha vontade de beijar pessoalmente o componente eletrônico ou o software que foi capaz de realizar o milagre...

Adorei a onda do e-book, tão prático rápido e à mão... qual não foi minha surpresa ao descobrir que os títulos que procuro quase nunca estão disponíveis para download, apesar disto, encontro ótimos outros... mas ainda assim, gosto do cheirinho do papel, gosto de apreciar a encadernação, o tipo de capa, deslizar os dedos sobre a lombada, do barulho da página virando, da minha memória que lembra de um comentário lá atrás e embora ela nunca funcione existe uma concessão para a localização do parágrafo e altura da história... sem falar que a bateria nunca acaba e posso levá-lo ao banco sem disparar o alarme... posso dormir lendo sem que ele esquente...

Ainda gosto das coisas como eram, porque têm uma história, uma história comigo, me levam de volta para algum lugar, onde as coisas eram mais simples e mais profundas, quando a informação demorava tão mais a chegar mas talvez trouxesse um impacto muito maior, onde tínhamos um número menor de amigos, mas andávamos até a casa deles e os abraçávamos, marcávamos uma festa onde cada um levava alguma coisa e todo mundo tava lá no sábado a noite, simplesmente pq a preguiça não nos levou a fazer as pazes com a consciência após uma desculpa virtual endereçada a todos...

Sinto falta das coisas de verdade, palpáveis, sinto falta dos olhares desviados, corações disparando, gagueira, rubor, da época que passávamos na esquina da casa de um gatinho só pra ele lembrar que existíamos e no sábado ele ligava chamando pro cinema pq também ele já não tinha medo de um não, dos contos que só podíamos ler longe da inspeção de olhares adultos, de jogar ping pong, festa americana, stop, rolar na grama, bolo nega maluca que não podia comer quente sob pena de uma bela dor de barriga, perna de pau, beijo roubado, castelo de areia, daquelas bonequinhas de papel que trocavam as roupinhas, hj tem um milhão delas virtuais, chamam jogos de meninas, ensina as moçoilas a combinar as peças, mas não incentiva a recortar, pintar com bolinhas, encurtar ou decotar, pras mais ousadinhas... meu guarda roupas tem umas peças bem antigas, que passaram por muitas transformações, muitas peças feitas por mim, cada uma delas guarda uma história ou muitas e continuam atuais... e hoje as gurias no geral, não sabem pregar um botão (infelizmente isso não é força de expressão).

Piafizinha, não precisando de 35 redes sociais para se sentir viva...

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