Cada vez que ouço alguém dizer que era feliz e não sabia, fico estupefata.
Talvez porque eu sempre tenha sabido que era feliz, quando era feliz. Sim, porque também fui infeliz. Algumas vezes, muito infeliz.
Mas acima de tudo, sempre pensei na felicidade, às vezes como um desejo de tê-la por perto, como se quer aos amigos e aos amores. Às vezes como a constatação de que está, efetivamente, ao meu lado.
Afinal, ainda acredito que felicidade seja isso: gostar do que se tem. Pensar naquilo que se tem com olhos de namorado, ressaltando suas belezas, sutilezas, aromas complexos e toda a série de pequenas bobagens que a felicidade proporciona.
Agarrar-se ao que se tem não é necessariamente não desejar ter mais ou melhores ou mais vastos. É o simples constatar de que se é bom, que a vida, ao contrário do se pensa, é justa, que estamos sempre exatamente onde deveríamos estar, dados os passos que nos trouxeram aqui.
Abraçar o que se tem é abrir espaço no armário através de roupas bonitas, mas usadas, para uma nova coleção de peças com cheio de tecido recém-tingido e a promessa de uma nova estação. É permitir que a noite se derrame para que um mesmo sol, renovado, venha ter conosco na manhça seguinte.
A quem quero enganar? Esta é a minha felicidade. De certo existem outras, muitas, milhares, plurais, prolixas e complexas... e toda felicidade será felicitada!
9 de abril de 2009
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Um comentário:
Ninhaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!
Que seja esta tua, minha e dos nossos, felicidade. Conquistada a cada dia, hora, minuto, trazida de baús de além-mar ou encontrada ao lado, vestida com tecido listrado ou apenas nua, como gostamos de ser... Que seja hoje e sempre a percepção do belo em nossos braços.
Amo-te inclusive hj.
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