10 de fevereiro de 2009

Cacos.

Partiu-se em milhões de pequenos pedaços.
Num deles me corto, noutro vejo o passado refletido.
Num terceiro há delírios e tormentos infinitos.
Mais adiante a mais candida paz...
Numa aresta, um filho me nasce,
Noutro ponto um sonho cor de rosa se realiza
por vários dias o mesmo sonho,
os mesmos tons pastéis, e de novo e de novo e de novo...

Fragmentos de uma vida.
Simples, mas bem vivida.
Vida de quem se divide em cacos como o espelho que se quebra,
mas se monta e remonta, tal qual mosaico,
mosaico de palavras, de cores, de magia.

E, ao longo do percurso,
vai se dividindo, se doando, dando de si, o que lhe sobra
às vezes até o que lhe falta...
... prazer maior é dar à receber...

Com tantos cacos, escreve-se outro capítulo na página da vida...
Pra que se juntar? Deixa-me esparramar.
Por que não mudar o que está escrito?
Por que não se quebrar mais um pouco?
Deixe-se montar nova obra de arte.

A única pena, é que poucos entendem quando olham o findo.
Ufa! Ainda bem, se entendessem, teria que destruir a obra.
Pois neste momento estaria nua.

Deixem-me com meus cacos!

Piafizinha, precisando de mais cola...

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