Uma febre me consome a alma
Fujo de todos que ma queiram curar.
Não posso, não devo não quero...
Esta alta temperatura me faz viver.
Me faz ser eu e ser você.
Se me queres, não tentes me curar.
Se me amas, aceita o pouco que te dou
Entenda que este pouco
É de mim muito
É sôfrego e tem poderes curativos
Mas só para as almas desavisadas...
Não tente me entender
Ou enlouqueça comigo
Esta sã loucura
Esta vicissitude sentimentalóide.
Liberta-me dos teus preconceitos
E terás me prendido a ti para sempre
Com o elo invisível da cumplicidade.
Tente me prender
E terás me perdido para sempre
No precipício da possessão.
Vem, sente meu calor
E aparta-te de mim
Para que não sejamos ambos
Mornos e sem graça.
Piafizinha, a delirante.
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