Volto ao tema. Por que não?
É de exaustão que se vive o desejo e de tédio que se consome o medo.
Sentada em minha cadeira secular, contemplo um certo astro confuso e ouço, cá perto, um pequeno pardal em seu lamento. Medito, afinal, na pergunta já tão nossa: quanto tempo dedicar a uma pessoa?
Folheio a hemeroteca imaginária de minhas confusões aborrecidas, levanto uma ou outra hipótese, amante-amiga da sabedoria e constato - contrafeita - que a resposta está numa entidade à qual nenhuma metalinguística pode alcançar.
Se penso quanto tempo dedico a mim mesma, constato que muito pouco desse tempo, que é praticamente integral, é consciente... disso concluo que me posso cuidar melhor... mas devo? É justo dedicar a si, exclusivamente, todo o tempo que se tem? Se é no outro que me reconheço. Se é no outro que aconteço... se no outro sou eu e não outro. De quem, então é meu tempo?
Se o outro é a ponte através da qual a possibilidade de ser eu se concretiza, então meu tempo não é meu, nem do outro, mas da ponte, essa na qual sou eu e o outro, o outro.
Quanto tempo dedicar a alguém, meus caros confrades? Todo o tempo que se tem!
Assim, amamos, enlouquecemos, sofremos e gozamos enquanto nos tornamos, lentamente, mais nossos, sem deixar de ser dos outros.
2 de maio de 2008
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2 comentários:
Falando em coisas impossiveis, a maior delas é controlar o tempo e a mente, O tempo e os pensamentos não nos pertencem, tem vida própria, realmente não são nem meus, nem do outro, visto que um não controla e o outro não sabe.
Siiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmmmmmm, e lá vamo-nos de novo pela vida afora, nos dedicando de corpo e alma, mais corpo do que alma, aoo outro, aos outros à todos, mas só aqueles que têm vrdadeira capacidade de levar consigo partes significantes de nossos corações e nossos pulmões, pois que nos deixam sem respiração tb, não só sem pulso... Ê vida de lagartixa!!!!
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